{"id":21465,"date":"2026-06-19T10:22:23","date_gmt":"2026-06-19T13:22:23","guid":{"rendered":"https:\/\/atribunaes.net.br\/?p=21465"},"modified":"2026-06-19T10:22:23","modified_gmt":"2026-06-19T13:22:23","slug":"promessa-de-dinheiro-facil-e-pix-sao-meios-mais-usados-por-golpistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/atribunaes.net.br\/?p=21465","title":{"rendered":"Promessa de dinheiro f\u00e1cil e Pix s\u00e3o meios mais usados por golpistas"},"content":{"rendered":"<h2>Estudo da Ag\u00eancia Lupa mostra que golpes costumam ser recorrentes<\/h2>\n<p><strong>Promessas de dinheiro f\u00e1cil\u00a0vindas de marcas conhecidas com pagamentos instant\u00e2neos via Pix se tornaram a combina\u00e7\u00e3o mais frequente usada pelos golpistas online do Brasil. \u00c9 o que aponta a\u00a0segunda edi\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio\u00a0<em>A Jornada dos Golpes<\/em>,\u00a0divulgado nesta quarta-feira (17).<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1693770&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1693770&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>O estudo do Observat\u00f3rio Lupa, n\u00facleo de pesquisa da Ag\u00eancia Lupa, tomou por base 115 conte\u00fados fraudulentos virais que circularam pelo pa\u00eds entre maio de 2024 e abril de 2026. Foi constatado que cerca de um ter\u00e7o dos golpes exigia pagamentos exclusivamente via Pix. Outros 71% dos golpes prometiam algum tipo de vantagem financeira e 74% exploravam a credibilidade de empresas ou personalidades conhecidas para dar \u00e0s fraudes uma apar\u00eancia de legitimidade.<\/p>\n<p>A pesquisa identificou que boa parte dos golpes utiliza estrat\u00e9gias repetitivas que s\u00e3o, por essa raz\u00e3o, previs\u00edveis.\u00a0<strong>Entre as estrat\u00e9gias que reaparecem ao longo do ano com pequenas adapta\u00e7\u00f5es se incluem promo\u00e7\u00f5es falsas, indeniza\u00e7\u00f5es inexistentes, vagas de emprego fraudulentas, benef\u00edcios sociais fict\u00edcios e brindes supostamente gratuitos. E sempre acompanhando datas sazonais e temas em evid\u00eancia no notici\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisadora respons\u00e1vel pelo estudo, Beatriz Farrugia, indicou que os criminosos n\u00e3o precisam criar golpes completamente novos para continuar fazendo v\u00edtimas.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEles reutilizam estruturas que j\u00e1 funcionaram, adaptam a narrativa ao contexto do momento e se aproveitam da confian\u00e7a que as pessoas depositam em marcas conhecidas, institui\u00e7\u00f5es e figuras p\u00fablicas\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Como isso torna as fraudes cada vez mais previs\u00edveis, Beatriz afirmou que acaba abrindo espa\u00e7o para a\u00e7\u00f5es preventivas mais eficazes.<\/p>\n<h2>Distor\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p><strong>Para aumentar a taxa de sucesso das fraudes, os criminosos exploram especialmente\u00a0contextos de vulnerabilidade econ\u00f4mica e a expectativa de obten\u00e7\u00e3o de dinheiro f\u00e1cil ou descontos significativos.<\/strong><\/p>\n<p>Os pesquisadores identificaram que uma das principais estrat\u00e9gias \u00e9 a distor\u00e7\u00e3o de fatos reais.\u00a0<strong>Em 66% dos golpes analisados, criminosos partiram de informa\u00e7\u00f5es verdadeiras para construir narrativas enganosas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Isso inclui manipula\u00e7\u00e3o de reportagens jornal\u00edsticas, comunicados oficiais, campanhas leg\u00edtimas, decis\u00f5es judiciais, programas governamentais e p\u00e1ginas institucionais, visando criar conte\u00fados que parecem aut\u00eanticos \u00e0 primeira vista. No per\u00edodo anterior, esse \u00edndice era de 55%.<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Beatriz, o uso de elementos reais torna os golpes mais dif\u00edceis de serem identificados.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cMuitas vezes, a fraude n\u00e3o nasce de uma informa\u00e7\u00e3o totalmente inventada, mas da adultera\u00e7\u00e3o de fatos verdadeiros, marcas reconhecidas ou not\u00edcias que j\u00e1 circulam na imprensa\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>De acordo com o relat\u00f3rio, mais de 15 empresas de varejo, bancos, marketplaces e plataformas digitais tiveram suas marcas utilizadas indevidamente por criminosos para conferir legitimidade \u00e0s fraudes.<\/strong><\/p>\n<p>Entre as marcas mais exploradas, destaque para Mercado Livre e Nubank, com quatro ocorr\u00eancias cada. Shopee, Serasa e Rede Globo aparecem tamb\u00e9m entre os nomes mais utilizados pelos golpistas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de empresas, personalidades p\u00fablicas, jornalistas, m\u00e9dicos e influenciadores foram frequentemente usados para dar veracidade \u00e0s mensagens fraudulentas.<\/p>\n<h2>Redes sociais<\/h2>\n<p><strong>A pesquisa evidencia que a maior parte das fraudes \u00e9 iniciada em redes sociais abertas, como Facebook, Instagram e TikTok, migrando depois para ambientes mais privados, especialmente formul\u00e1rios online, onde ocorre a coleta de dados pessoais, e aplicativos de mensagens.<\/strong><\/p>\n<p>O WhatsApp apareceu em quase 65% dos golpes analisados entre maio de 2025 e abril de 2026, consolidando-se como o principal canal de circula\u00e7\u00e3o desse tipo de conte\u00fado no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nesse ambiente, os pagamentos instant\u00e2neos tornaram-se uma ferramenta importante para os criminosos. As transfer\u00eancias por Pix costumam ser apresentadas como forma \u00fanica de arcar com taxas supostamente necess\u00e1rias para liberar benef\u00edcios, promo\u00e7\u00f5es, brindes ou indeniza\u00e7\u00f5es inexistentes.<\/p>\n<h2>Responsabilidade<\/h2>\n<p>O relat\u00f3rio chama a aten\u00e7\u00e3o para o papel das plataformas digitais na monetiza\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de conte\u00fados fraudulentos.<strong>\u00a0Em novembro de 2025, documentos internos da Meta revelados pela imprensa indicaram que a empresa teria arrecadado em 2024 cerca de US$ 16 bilh\u00f5es com an\u00fancios relacionados a golpes e produtos proibidos. Esse valor equivale a cerca de 10% da receita anual da empresa.<\/strong><\/p>\n<p>O Observat\u00f3rio Lupa informou que o caso ampliou o debate internacional sobre os mecanismos de fiscaliza\u00e7\u00e3o de an\u00fancios e a responsabilidade das plataformas na preven\u00e7\u00e3o de fraudes.<\/p>\n<p>Beatriz Farrugia sinalizou para a necessidade de uma atua\u00e7\u00e3o coordenada entre empresas de tecnologia, institui\u00e7\u00f5es financeiras, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, ve\u00edculos de imprensa e usu\u00e1rios para que ocorra o enfrentamento dos golpes online.<\/p>\n<p>A pesquisadora destacou que o relat\u00f3rio mostra que os golpes digitais n\u00e3o s\u00e3o aleat\u00f3rios. Refor\u00e7ou que eles seguem padr\u00f5es relativamente est\u00e1veis de narrativa, distribui\u00e7\u00e3o e monetiza\u00e7\u00e3o. \u201cQuanto melhor entendermos esses padr\u00f5es, maiores ser\u00e3o as chances de antecipar amea\u00e7as, reduzir vulnerabilidades e proteger os usu\u00e1rios\u201d, concluiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>(Da Reda\u00e7\u00e3o<\/em><em>)<\/em><\/strong><\/p>\n<p>(INF.\\FONTE: Ag\u00eancia Brasil \\\\<strong> Alana Gandra)<\/strong><\/p>\n<p>(FT.\\CR\u00c9D.:\u00a0 Marcello Casal \\\\ <strong>Divulga\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo da Ag\u00eancia Lupa mostra que golpes costumam ser recorrentes Promessas de dinheiro f\u00e1cil\u00a0vindas de marcas conhecidas com pagamentos instant\u00e2neos via Pix se tornaram a combina\u00e7\u00e3o mais frequente usada pelos golpistas online do Brasil. \u00c9 o que aponta a\u00a0segunda edi\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio\u00a0A Jornada dos Golpes,\u00a0divulgado nesta quarta-feira (17). 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